O eleitor brasileiro tem dado sinais de que já não escolhe por idade, tempo de carreira ou experiência política. Em várias capitais, nomes relativamente jovens, com forte capacidade de gestão, presença administrativa e entrega concreta de resultados, passaram a vencer disputas relevantes com votações expressivas. João Campos foi reeleito no Recife com 78,11% dos votos; J. Henrique Caldas, em Maceió, alcançou 83,25%; Arthur Henrique, em Boa Vista, chegou a 75,18%; Eduardo Pimentel venceu em Curitiba com 57,64%; e Léo Moraes conquistou Porto Velho com 56,18%. Cada um dentro da sua realidade, ajuda a desenhar esse novo momento do eleitor.
Para além do resultado das urnas, chama atenção o desempenho desses gestores depois de eleitos. Em ranking nacional da Atlasintel, João Campos, Eduardo Pimentel e Arthur Henrique aparecem com 64% de aprovação, o que reforça uma tendência: o eleitor tem valorizado lideranças jovens com capacidade de entrega e alta performance na gestão pública.
Esse movimento não significa uma rejeição automática à experiência. Significa, antes, uma mudança de critério. João Campos tem 32 anos; JHC, 38; Eduardo Pimentel, 41; Léo Moraes, 42; e Arthur Henrique, 44. São gestores de uma mesma geração política, com características de executivos, que chegaram ao comando de capitais importantes em um momento em que o eleitor parece cobrar menos discurso e mais resultados.
No Amazonas, essa leitura encontra paralelo em Roberto Cidade, que tem 39 anos e também integra esse grupo de lideranças mais jovens que se destacam pela capacidade de gestão e articulação política.
Roberto Cidade não foi prefeito, isso tem que ser dito com honestidade. Mas sua passagem pela Presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas o colocou no centro das decisões políticas do Estado. Nascido em Manaus, bacharel em Administração, ele presidiu a Aleam por três mandatos consecutivos e se tornou o mais jovem a comandar a Casa, deixando marcas relevantes na sua administração, como a criação do Centro de Inclusão Sensorial
para pessoas com autismo, impulsionada por sua vivência como pai atípico.
Já no cargo de governador, em menos de dez dias, Roberto Cidade iniciou uma força-tarefa em duas áreas sensíveis para o Amazonas: segurança pública, saúde e assistência social.
Na segurança, lançou a Operação Segurança Presente, com reforço do policiamento na capital, integração das forças policiais e entrega de equipamentos. Poucos dias depois, ampliou a ação para os 61 municípios do interior, com foco no combate ao crime organizado e nas áreas de maior vulnerabilidade. Na cheia, determinou o envio de 598 toneladas de ajuda humanitária para municípios das calhas do Juruá e do Purus. Ainda é cedo para medir resultados, mas o início da gestão mostra o empenho de Roberto Cidade em apresentar resposta rápida e atuação em problemas reais do Estado.
A disputa, portanto, tende a passar por uma pergunta simples: o eleitor amazonense vai repetir essa tendência que pende para gestores que buscam a resolução real de problemas? A história recente mostra que o Amazonas sabe surpreender. E, quando o povo decide mudar o roteiro, a política tradicional costuma perceber tarde demais que o tempo também virou adversário.








