O Ilê Axé Arawé Ajúnsún, localizado no bairro Tarumã-Açu, em Manaus, realiza, no dia 29 de agosto, o Jubileu de Pérolas, solenidade que marca os 30 anos de iniciação religiosa de Frank de Obaluayê. Desse período, 23 anos correspondem ao exercício do sacerdócio como babalorixá.
A programação reunirá familiares, filhos-de-santo, amigos, integrantes da comunidade e adeptos das religiões de matrizes africanas. A data assinala três décadas desde a iniciação de Frank para Obaluayê, Orixá ao qual sua vida religiosa está consagrada.
Frank foi iniciado no Candomblé pelo Babalorixá Ribamar de Xangô, sacerdote do centenário Terreiro de Santa Bárbara, conhecido como Terreiro do Seringal Mirim, em Manaus. Desde então, mantém-se ligado ao mesmo a seu babalorixá, preservando, ao longo de três décadas, a continuidade de sua origem e de sua formação religiosa.
A relação com seu sacerdote e o respeito à hierarquia constituem referências importantes em sua compreensão do Candomblé. Para Pai Frank, o conhecimento religioso é resultado de um processo contínuo de aprendizado, convivência e transmissão de saberes entre gerações.
Da iniciação ao sacerdócio
O interesse pelo sacerdócio surgiu nos primeiros anos de sua vida religiosa. Ainda como yawô, Frank já manifestava o propósito de, futuramente, tornar-se babalorixá e constituir sua própria casa de axé.
“Eu quis e sou feliz sendo babalorixá”, afirma.
Ao falar sobre essa decisão, Frank ressalta que compreende o sacerdócio como uma escolha que exige responsabilidade pessoal:“Tenho a percepção de que o Orixá não pede para que sejamos babalorixá. Essa é a minha compreensão. Quem toma essa decisão somos nós. Eu queria seguir o exemplo do meu pai, Ribamar de Ayrá; queria ter a sabedoria que reconhecia nele. Mas sei que jamais serei igual, porque acredito que a criatura nunca supera o seu criador.”
Aos três anos de iniciado, a decisão estava definida. Segundo Frank, antes de prosseguir, buscou a anuência de Obaluayê:
“Decidi que seria babalorixá. Pedi a autorização de Obaluayê, e ele disse: ‘Vamos’.
Atribuo a ele esse ‘sim’. Eu quis seguir esse caminho.”
A partir desse processo, assumiu posteriormente as atribuições sacerdotais que exerce há 23 anos, dedicando-se à condução de sua comunidade religiosa e às responsabilidades inerentes à função de babalorixá.
Ilê Axé Arawé Ajúnsún
O Ilê Axé Arawé Ajúnsún, fundador em 14 de julho de 1999, constitui o principal espaço de atuação religiosa de Frank em Manaus. A instituição desenvolve atividades relacionadas ao culto, à formação religiosa e à preservação de conhecimentos vinculados ao Candomblé e às tradições de matriz africana.
A criação de sua própria casa representou a concretização de um projeto concebido ainda nos primeiros anos de sua formação. Ao longo do tempo, o Ilê consolidou-se
como espaço de convivência comunitária, exercício da religiosidade e transmissão de conhecimentos.
O Jubileu permite, ainda, estabelecer uma distinção necessária entre dois momentos de sua biografia religiosa. Frank completa 30 anos de iniciação para Obaluayê e 23 anos de sacerdócio. Os períodos correspondem a etapas diferentes de sua formação e não devem ser confundidos: a iniciação assinala seu ingresso na vida religiosa; o sacerdócio refere-se ao posterior exercício das funções sacerdotais.Educação e formação acadêmica
Paralelamente à atividade religiosa, Frank construiu sua carreira profissional no campo da educação. É pedagogo, professor de Língua Portuguesa e Docente do Ensino Superior. Atualmente, também é acadêmico do curso de Direito.
A formação educacional integra uma dimensão relevante de sua biografia. Como professor, sua atuação está vinculada ao ensino e à formação de estudantes; no âmbito religioso, desempenha atribuições próprias do sacerdócio, orientadas pelos princípios, pela hierarquia e pelos conhecimentos específicos do Candomblé.
Embora pertençam a campos distintos, a docência e o sacerdócio têm como elemento comum a importância atribuída ao conhecimento. Em sua experiência profissional, esse processo ocorre por meio da educação formal; no espaço religioso, desenvolve-se sobretudo pela oralidade, pela convivência e pelos ensinamentos transmitidos por Pai Ribamar.

Jubileu de Pérolas
A comemoração dos 30 anos de iniciação representa, para Frank, uma oportunidade de reconhecer sua formação, os ensinamentos recebidos e as pessoas que participaram de diferentes etapas de sua vida religiosa.
Mais do que uma referência cronológica, o Jubileu de Pérolas registra a permanência de uma história construída no Candomblé e vinculada à preservação de seus fundamentos. A ocasião também evidencia a contribuição dos terreiros para a manutenção de saberes, práticas, memórias e manifestações religiosas de matriz africana.
Para a imprensa e para a sociedade amazonense, o evento oferece a oportunidade de conhecer uma expressão da diversidade religiosa presente em Manaus e compreender aspectos de uma tradição baseada na ancestralidade, na hierarquia, na oralidade e na transmissão de conhecimentos entre gerações.No dia 29 de agosto, o Ilê Axé Arawé Ajúnsún receberá familiares, filhos-de-santo,
amigos; todos convidados para o Jubileu de Pérolas de Babalorixá Frank de Obaluayê. A solenidade assinala 30 anos de iniciação para Obaluayê, em uma biografia que reúne
23 anos de sacerdócio, atuação profissional na educação e formação acadêmica atualmente ampliada pelos estudos no curso de Direito.
Loní Ojó Odun Babá Arawé








